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MEU ÚLTIMO POEMA

Augusto Junior Macucule

 

A voz que calou-se para sempre.

Era um ancião de Palma,

conhecedor de ervas com poderes curativos.

Tratou gerações de concidadãos, sem cobrar pérolas nem concessões.

Foi-se a mulher, mesmo com gritos de dezenas de vítimas, eles não a pouparam,

desferiram golpes e mais golpes, nos já atormentados pugilistas desta vida.

Tatuaram raiva e intimidações, com balas e navalhas compradas no norte.

Golpearam o berço da revolução e os lençóis perderam valor, pois ninguém comprará dor, e sofrimento de um povo.

Da água dos potes aos charcos da última chuva, sobram pontos por descortinar.

Desassossego atormenta o luto das viúvas e dos órfãos da paz,

privando milhares de inocentes do futuro melhorado.

Libertado no passado com disparos no escuro.

Vejo nas matas, troncos do contrabando, deixados em charcos de sangue.

A curva da procura e de oferta de pedras preciosas gravita em corpos crivados de balas.

Brota o novo conceito de guerra, que nos lembra os dezesseis anos de corpos jogados em valas.

Sacrificados por uma democracia e economia de mercado tornada bandeira do capitalismo.

Sonho com lembranças e procuro o ventre da mulher, tornada símbolo do horror da guerra.

Vasculho os dizeres de Ngoenha em "Resistir a Abadon", para perceber a guerra.

Mergulho nas lições tornadas públicas por Elísio Macamo, no mural do trato fino da palavra, para entender o direito à informação.

Me aventuro no termo "Elites", tornado quadro teórico dos contestatários do regime.

Lembro-me de conceitos ecoados na literatura cinzenta e científica da nova temática chocante.

Pratico meditação, sem compreender o verdadeiro sentido da maldição dos recursos.

Não me reconheço como berço da liberdade, conquistada por todos em Junho,

reformulada e debatida por Borges Coelho, José Negrão, Luís de Brito e outros tantos estudiosos de Moz.

Grito mais alto que a força da ressurreição de jazigos de petróleo e gás.

 

Sangue queimado por pérolas cintilantes em Cabo Delgado.

Lembro-me dos leilões em Londres, propagados pela mídia,

dos milhões nas tendas e nos lares de outros moçambicanos, esquecidos pelos holofotes.

Imagem do atual drama humanitário que alimenta debates sobre direitos humanos.

Mil perdões pela escassez de informação, que discrimina os milhões de moçambicanos de sede de notícias.

Preciso de luz, de sal e açúcar para remodelar o gosto amargo na boca,

de tanto comer e beber sangue de guerras intermináveis e intermitentes.

24 horas de gritos, vamos falar alto e gritar alto, eu sou Cabo Delgado.


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