OBRAS RARAS


CATALOGAÇÃO DE LIVROS RAROS - ASPECTOS DE SEGURANÇA

Segurança contra roubo de livros raros em bibliotecas de todo mundo tem sido preocupação constante e objeto de estabelecimento de regras que, se seguidas, costumam dar bons resultados. Nós todos conhecemos casos de livros raros roubados, alguns recuperados ao serem vendidos, outros jamais vistos novamente.

Nos Estados Unidos e na Europa manuais foram elaborados há algumas poucas décadas com sugestões de conduta para bibliotecários e livreiros, uma vez que esses profissionais trabalham normalmente em estrita colaboração. Nenhum livreiro quer estar desinformado e comprar um livro roubado, pois ao ser constatado o roubo, ele geralmente tem de devolver o livro. Reaver o dinheiro é uma outra história, incerta, entre ele, a polícia e o autor do crime.

Várias são as medidas tomadas para que o roubo não aconteça numa biblioteca. Em geral, essas medidas são praticadas por bibliotecas de todos os países, inclusive no Brasil. Citando algumas: a sala de leitura, por exemplo, é reservada ao uso do livro raro, não sendo permitido o uso de outros livros ao mesmo tempo. A supervisão é constante por parte do bibliotecário de referência. Câmeras não são incomuns nas salas de leitura. Se o leitor precisar se ausentar por 3 minutos que sejam, o livro consultado deve ser devolvido temporariamente ao bibliotecário, e não deixado sobre a mesa. [Lembro-me de uma visita a uma biblioteca de Nova Iorque em que fiquei literalmente trancada na sala de leitura, e só podia sair quando o responsável apertava um botão embaixo da mesa e a porta se abria]. Isso para não falar dos cuidados que devem ser tomados ao enviar o livro para o setor de encadernação, de fotografia, ou ainda emprestá-lo a uma exposição fora da biblioteca.

No que diz respeito ao processamento técnico de material raro, as bibliotecas são responsáveis por fazer marcas de propriedade (estampas no verso da página de rosto e/ou em outra página determinada, por exemplo) e principalmente registrar informações pertinentes à cópia em mãos. Numa mesma edição, cada exemplar pode ter suas próprias características, e isso deve ser colocado em nota. Já houve caso de roubo de livro raro aqui nos Estados Unidos em que judicialmente a propriedade pôde ser comprovada graças a informações que a biblioteca mantinha em seu catálogo. Uma anotação manuscrita em determinada página, uma assinatura, uma antiga restauração no papel, selos e marcas de propriedades, para citar alguns exemplos, devem sempre ser registrados quando se cataloga um livro raro. Nunca se sabe se uma dessas será a forma de se recuperar um livro "perdido".

Partindo-se do princípio de que o roubo será denunciado imediatamente, ou imediatamente após a descoberta, se esta ocorrer meses mais tarde, deve-se in-va-ri-a-vel-men-te fazer um relatório e divulgá-lo no país e no exterior. Muitas vezes os livros só aparecem no mercado muitos anos após serem roubados.

Fechando o assunto: o tempo dispendido na detalhada catalogação de um livro raro serve não apenas para contribuir para a boa qualidade de uma base de dados (que sempre ajuda os colegas de outras bibliotecas que têm exemplares imperfeitos em mãos e facilita a pesquisa do usuário), mas também é fundamental para uma possível recuperação em caso de roubo.


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VALERIA GAUZ

Mestra e doutora em Ciência da Informação pelo IBICT, bibliotecária de livros raros desde 1982, é pesquisadora em Comunicação Científica e Patrimônio Bibliográfico, principalmente. Ocupou diversos cargos técnicos e administrativos durante 14 anos na Fundação Biblioteca Nacional e trabalhou na John Carter Brown Library, Brown University (EUA), de 1998 a 2005 e no Museu da República até 12 de março de 2019.