OBRAS RARAS


UM PRÊMIO PARA A MELHOR BIBLIOGRAFIA

Por mais de dois milênios, essa coisa material e inanimada (há controvérsias) chamada livro vem ocupando (assim mesmo, no gerúndio) nossas vidas pessoais e profissionais, em todas as idades. Há os que o colecionam, aqueles que o vendem, os que somente o admiram nas lojas. Alguns fizeram desse o presente favorito, para dar e receber. Houve (quiçá, há) os que o queimassem em praça pública em momentos tristes da história da humanidade; os que o esconderam em paredes falsas por décadas visando a sua preservação; os que roubaram ou mutilaram os poucos exemplares existentes. Ainda assim, livros hoje considerados raros, pouco comuns, especiais, valiosos ou únicos sobreviveram para contar a sua história e, algumas vezes, a daqueles a quem pertenceram, com seus diversos tipos de marcas de propriedade.

 

Hoje, no início da segunda década do terceiro milênio, estamos na era do cada vez mais digital, virtual, eletrônico, tecnológico moderno, the latest gadget, enfim, daquilo que se afasta, de certa forma, do objeto chamado livro enquanto reunião de cadernos escritos ou impressos e encadernados (em definição das mais simples para o livro). Um evoca tempo, leitura demorada (individual ou em grupo), odores, estímulos tácteis, espaços físicos. Outro atende a premência dos tempos modernos, de praticidade, objetividade e rapidez, um tempo menos emocional, de certa forma, nessa área. A convivência tem sido pacífica. Ao contrário do que se imaginou no início, o livro eletrônico tem contribuído para o crescimento do impresso – como atesta o mercado editorial. Sua permanência não deixa dúvidas.

 

Naturalmente, algumas práticas relacionadas ao livro impresso não mais existem (como acorrentá-los à estante – embora o cofre possa ser considerado a versão moderna dessa prática); outras, se ainda presentes, tornam-se cada vez mais raras, como parte do processo evolutivo de todas as coisas existentes. No início de minha vida profissional como bibliotecária de livros raros, por exemplo, lembro-me de como bibliografias impressas ocupavam lugar de relevância nas tarefas desses profissionais. Atualmente, com catálogos online e web sites de instituições, de várias partes do mundo, que disponibilizam seus acervos de forma eletrônica para deleite de todos nós (embora esses não permitam, em grande parte, a visualização do escopo de determinadas coleções de uma biblioteca), há diminuição na publicação impressa de bibliografias, em especial por parte dos países menos favorecidos financeiramente, leia-se, intelectualmente – aspectos que podem caminhar juntos, muito juntos. Verbas reduzidas em bibliotecas também contribuem para a escassez de bibliografias.

 

Assim, pensar que uma instituição possa oferecer prêmio de US$10 mil para o melhor livro sobre livros é, no mínimo, bastante louvável. Esse é o caso do Breslauer Prize for Bibliography 2014 da ILAB (International League of Antiquarian Booksellers), a cada quatro anos contemplando autores distintos, hoje na 16ª. edição. Na 15ª., ganhou o belo Dutch Decorated Bookbinding in the Eighteenth Century (2006).

 

Até o momento, são candidatos catálogos de bibliotecas, biografias, bibliografias, catálogos de livros raros, estudos sobre encadernação, ilustradores/gravadores de mapas e história do comércio de livros antigos, a maior parte dos Estados Unidos e da França. Manuscritos, catálogos comerciais de livros cujo objetivo é a venda e traduções não são considerados para submissão. Pode ser enviado, até abril de 2013, para o endereço abaixo, um exemplar, apenas, de trabalho em qualquer língua, publicado entre 2009 e 2012. Maiores informações estão disponíveis em www.ILABPRIZE.org.

 

Como ficou evidente, o chamado Primeiro Mundo ainda valoriza a memória impressa.

 

Endereço para submissão:

Arnoud Gerits

Distelvlinderweg 37 d

1113 LA Diemen

Netherlands

 

Até a próxima!


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VALERIA GAUZ

Mestra e doutora em Ciência da Informação pelo IBICT, bibliotecária de livros raros desde 1982, é pesquisadora em Comunicação Científica e Patrimônio Bibliográfico, principalmente. Ocupou diversos cargos técnicos e administrativos durante 14 anos na Fundação Biblioteca Nacional e trabalhou na John Carter Brown Library, Brown University (EUA), de 1998 a 2005 e no Museu da República até 12 de março de 2019.