BIBLIOTECA ESCOLAR - NOVA FASE


  • Discussões, debates e reflexões sobre aspectos gerais e específicos da Biblioteca Escolar. Continuação da coluna anterior, agora apenas com autoria de Marilucia Bernardi

UMA PAUSA DE BIBLIOTECA ESCOLAR...

Como se isso fosse possível quando se gosta, verdadeiramente, do que faz e fez por muito tempo, ou seja, trabalhar de alguma forma, com Biblioteca Escolar.

 

Por várias questões e, principalmente, por estar em outras funções, foi necessário fazer um Ano Sabático, o qual se tornou um pouco mais longo devido a tantos temas que queria abordar nesse espaço e não conseguia priorizar. Para quem não sabe o que é Ano Sabático, no mundo judaico antigo, um de cada sete anos era destinado, por lei, ao repouso compulsório. A terra não podia ser cultivada, as dívidas se extinguiam, os escravos conquistavam a liberdade. Não era permitido sequer, colher os frutos das árvores. Terminado esse período, tinha início um novo ciclo de vida.

 

Nos dias atuais, esse Ano Sabático está, novamente, em evidência, porém agora com um novo significado, de caráter pessoal. A ideia básica ainda é realizar uma pausa prolongada antes de uma nova etapa. Mas já não se trata apenas de deixar a terra inculta, deixar de pagar dívidas (não seria de todo ruim), deixar vencer compromissos. A meta agora é cultivar o espírito, para que algo novo possa florescer.

 

Portanto, retorno e retomo a oportunidade de pensar, falar e escrever sobre Biblioteca Escolar, com uma imensa alegria em perceber que, a despeito do “clima reinante” e das dificuldades impostas, o trabalho continua. Mesmo sem ter os textos atualizados, foram muitos os que me escreveram para solicitar dicas, sugestões ou mesmo fazer comentários e isso significa mais desafios, mais trabalho e que, mesmo sem escrever, lia, pensava e falava sobre Biblioteca Escolar e seus derivados.

 

Vale salientar que, a maioria dos que me escrevem, continua sendo de professores(as) readaptados(as), mostrando que ainda estamos muito longe da aplicação total da Lei nº 12.244/2010. Não significa, porém, que não possam ter desempenho e executar as tarefas de modo eficaz e eficiente. Em muitos casos, trabalham ainda melhor.

 

Para iniciar, gostaria de abordar alguns tópicos que considero importantes para reflexão e lembrança.

 

Há um ano comemorávamos o cinquentenário da regulamentação da profissão de bibliotecário. Foi sem dúvida alguma, um marco a ser comemorado mesmo. Para muitos são cinquenta anos de luta. Amarga pra alguns, doce pra outros e há ainda os que acham que essa profissão é uma eterna luta diária, uma lide de verdadeiras formigas a labutar, sem se importar com o clima adverso reinante.

 

Se repararmos bem, é uma das profissões bastante atingidas pela crise política/social/econômica do país, pois ela se baseia num serviço meio e não num serviço fim, concordam? Talvez em parte sim.

 

Num momento em que a comida se torna escassa; a saúde bambeia; a segurança deixa a desejar; o sistema educacional patina e anda com muletas, como vamos pensar em BIBLIOTECAS e BIBLIOTECÁRIOS??????

 

Realmente, se formos mais realistas que o rei, pessimistas assumidos, não há como, mesmo, pensar na questão. É óbvio que não queremos e não devemos querer dar murros em ponta de faca, só nós sairíamos feridos. Em vários livros de administração, de marketing, até mesmo sobre relacionamentos, há sempre frases como pensar A e NA crise, por ex: de Albert Einstein – “Em momentos de crise, só a imaginação é mais importante que o conhecimento” e De Leonardo Boff – “A crise representa purificação e oportunidade de crescimento.”

 

Pois bem, partindo dessas frases, quanto conteúdo se poderia obter para o desempenho do trabalho numa biblioteca escolar, a despeito de tempos ruins.

 

Dando uma marcha a ré no tempo, há de ser lembrar que durante uns anos, período de cerca de 4 a 5 anos, só se falava em Biblioteca Escolar. Foi um verdadeiro boom desse segmento. Que maravilha haveria de ser! Vislumbrando todo aquele cenário, chegaríamos, com certeza, ao ano 2020 perto da totalidade de escolas com bibliotecas e com o profissional bibliotecário.

 

Infelizmente, as rosas trazem espinhos e muitas vezes eles são maiores e mais fortes, mas nem por isso sejam muito mais difíceis de carregá-los. Enfim, ainda há muita coisa por fazer e muita lenha pra queimar para não deixar que sucumbam as Bibliotecas Escolares.

 

Embora não esteja atuando no ramo, ainda costumo conversar com profissionais, tanto bibliotecários ou professores que sejam responsáveis por bibliotecas e posso perceber como as dificuldades são cíclicas, isto é, alguns problemas que eles enfrentam, enfrentávamos há 10 anos, então porque não tentar usar os métodos que usávamos nessa época, pelo menos será novidade para os usuários de agora. Podem surtir um efeito positivo.

 

Certa vez, ouvi de um palestrante norte-americano que as bibliotecas, nos EUA, também sofreram com as condições sócio econômicas do país e a direção precisou se reinventar para que as pessoas não deixassem de ir à biblioteca. E, para isso, refizeram alguns dos serviços para poder se reaproximar do público, tais como: questionário para saber/conhecer o desejo dos seus usuários; como fazer com que todo acervo da biblioteca chegue até o usuário; procurar saber como os usuários se sentem em relação à biblioteca; como compartilhar as experiências entre profissionais bibliotecários, de outras instituições, uma vez que a crise atinge a todos?

 

Li em algum lugar o seguinte: as bibliotecas precisam ir ao encontro das necessidades de seus usuários. E ai me vem da memória....”todo artista tem de ir aonde o povo está”... Nos bailes da vida, de Milton Nascimento. Isso é muito importante se olharmos sob o aspecto de mudança, ou seja, talvez seja necessário mesmo, uma mudança meio que radical para que os alunos enxerguem a biblioteca. Leve seu acervo, seus serviços até eles, de alguma forma.

 

Retomando a fala sobre crises, este é o momento de repensar estratégias usadas e que não deram resultados; rever conceitos; retomar ideias ou sugestões deixadas de lado em outros momentos; redefinir projetos; rever normas e prioridades de uso da biblioteca; frear um pouco a fala e escancarar olhos e ouvidos para críticas, solicitações, sugestões, etc. É importante também focar em qualidade de atendimento e não quantidade, quer seja de usuários, ou de quantidade de acervo, ou ainda dos serviços prestados, etc.

 

Estatísticas são ótimas, porém o fundamental é que tudo o que for realizado seja com qualidade, não visando apenas resultados numéricos.

 

Finalizando, trago um poema, sem autoria definida, e em outro idioma, mas perfeitamente claro, que explica com maestria, o que seja uma biblioteca escolar.

 

LA BIBLIOTECA ESCOLAR

 

- ¿Qué es una biblioteca escolar?

Me preguntas...

No és un almacén de libros

ni tan solo un lugar de consulta

No es un lugar de estudio

ni colección de libros de gran altura.

 

La biblioteca escolar es un espacio abierto,

un espacio educativo con ideas muchas,

abierto a todo lo que significa el libro

y favorecendo la intriga y la búsqueda

de nuevas ideias, de nuevas lunas

llenas de expresión y creatividad.

 

La biblioteca escolar es el encuentro

que tantos buscas y buscas,

el encuentro com tu amigo el libro

y descobrir con mucha ternura

yodo lo que lleva muy dentro

y nos abre a la vida y a la lucha,

lucha por ser mejores cada día.

 

La biblioteca escolar son ideas

que nos abren nuevas rutas,

la ruta de los recursos multimídia

y la ruta del libro que nos pregunta,

que nos entretiene, que nos educa.

La ruta que nos informa y nos abre

nuevos horizontes a los valores

que integran a la persona que impulsa

una sociedade más humana,

una sociedade más justa.

 

La biblioteca escolar son actividades

abiertas que actúan

para desarrollar la expresividad

y fomentar la lectura,

para formarnos en la expresión

y aumentar nuestra cultura.

La biblioteca escolar es...

todo aquello que impulsa

nuestra imaginación y nos lleva

a guiar con la lectura

nuestros pasos por la vida.


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MARILUCIA BERNARDI

Formada pela PUCCampinas. Atualmente elabora projetos para formação de Biblioteca Particular (Pessoal), oferece apoio a Bibliotecas Escolares e é aluna da Faculdade da Terceira Idade, da UNIVAP, em Campos do Jordão. Ministrou aulas de Literatura e Comunicação, por dois anos, na Faculdade da Terceira Idade. Atuou na Escola Estadual Prof. Theodoro Corrêa Cintra, em Campos do Jordão, pela ONG AMECampos do Jordão. Trabalhou na Fundação Getúlio Vargas de São Paulo; na Metal Leve; chefiou a Biblioteca da Faculdade Anhembi-Morumbi e foi encarregada da biblioteca do Colégio Santa Maria. Possui textos publicados e ministrou diversas palestras sobre Biblioteca Escolar.?