ATIVIDADES EM BIBLIOTECAS


  • Apresentar experiências e exemplos de atividades desenvolvidas em Bibliotecas.

PATRIMÔNIO HISTÓRICO DA CIDADE – ÁLBUM DE FIGURINHAS

As Secretarias de Cultura dos municípios e as bibliotecas públicas se preocupam com o patrimônio público, quer diretamente – por meio de Coordenadorias, Setores, Departamentos etc., existentes nas Secretarias de Cultura (ou que outros nomes tenham nas cidades) – quer indiretamente (pelas bibliotecas públicas, associações específicas, grupos de apoio a determinadas ações etc.).

Tão importante quanto essa preocupação é a busca por tornar esses patrimônios aceitos como parte da história não só do local, mas da própria população.

Há sempre – ou deveria ter – uma procura por levar os munícipes a aceitarem os prédios, locais históricos e outros espaços como seus, como vinculados a suas vidas, da mesma maneira como vinculam suas casas e de parentes à história de vida da família.

O relato seguinte aconteceu entre final dos anos da década de 1980 e início dos anos da década de 1990. Não sei precisar ao certo a data – foi apenas um ano de trabalho -, mas a exatidão dela não traz nenhuma contribuição para a ação realizada.

Mogi das Cruzes é uma cidade que pertence à Grande São Paulo e dista, mais ou menos, 60 quilómetros da capital e quase a mesma distância até Bertioga, cidade litorânea do estado de São Paulo. Hoje ela possui uma população aproximada de 450.000 habitantes, mas, na época, era de um número próximo a 270.000. A cidade é constituída oficialmente em 1865, mas sua história remonta a 1561 quando Braz Cubas se embrenha nas matas a procura de ouro. Em 1601 é construída a primeira estrada entre São Paulo e Mogi das Cruzes. Esses breves dados são apenas para contextualizar a importância das discussões sobre o Patrimônio Histórico da cidade.

A Secretaria da Cultura da época (final dos anos 80 e início dos anos 90, relembrando) propôs realizar um evento envolvendo todas as 37 cidades que fazem parte da Grande São Paulo, destinado a discutir sobre vários aspectos culturais. A maioria, ou talvez todas, enviaram representantes. Eles convidaram algumas pessoas, entre elas eu, para participar da construção e organização temática do evento.

Durante o evento o grupo de Mogi das Cruzes apresentou uma proposta para atuação diretamente com a população tendo como interesse o patrimônio histórico. A ideia era publicar um álbum de figurinhas com marcos históricos da cidade, retratando como estavam na época e como eram em momentos anteriores.

O álbum seria impresso e distribuído nas escolas, a princípio, e depois em determinados lugares estratégicos em que havia um grande número de pessoas circulando.

A escolha dos prédios e locais históricos teve como critério, claro, o valor e a importância histórica deles, mas também a visibilidade desses locais. Por exemplo: uma igreja estava localizada em uma praça muito movimentada da cidade e quase todos os habitantes a conheciam; ruas do centro pelas quais muitos transitavam, a maioria sem saber os motivos de serem estreitas; um local não muito distante, mas afastado do centro, embora menos conhecido tinha uma relação estreita com a produção de chá etc.

As figurinhas traziam a foto do local – como era naquele momento – e, ao lado, como era em épocas passadas (uma ou duas fotos ou desenhos).

Os alunos e, como disse, os munícipes, recebiam o álbum com alguns pacotinhos de figurinhas. Neles constavam cromos que seriam colados nos locais específicos, mas que, nessa primeira etapa, cobriam 20% do álbum. Nas 4 semanas seguintes, seriam distribuídos outros pacotes que preencheriam o álbum.

Abaixo das figurinhas, no álbum, havia um texto explicativo sobre a história do local, incluindo como e quando ele foi edificado ou inaugurado ou ainda quando foi aberto para o público, além de outras informações que eram consideradas interessantes.

É importante, para aqueles que desejarem implantar essa ideia ou alguma semelhante, que os textos sejam curtos e tragam informações curiosas. A ideia é levar as pessoas a ler e, com isso, conhecer mais dos locais históricos da cidade em que vivem.

Uma escola conhecida na cidade, por exemplo, foi escolhida pelas características que os critérios de seleção haviam determinado e os alunos que a frequentavam, com ou sem ajuda dos professores, puderam conhecer a história dela e, assim, houve a oportunidade de apresentá-la e torná-la mais próxima deles. Talvez, é possível, tenha ocorrido uma outra forma de pertencimento, uma outra relação, um outro significado atribuído ao prédio que, antes, era apenas o local da escola.

Não acompanhei, infelizmente, a implantação da proposta, mas creio ser ela uma forma de atuar e aproximar o patrimônio histórico da população.

Além do álbum de figurinhas, a Secretaria de Cultura implantou um Museu a céu aberto (vi o que foi alocado na praça principal da cidade), contando a história dos prédios presentes no local e, mais, também foi inaugurado um Centro Cultural. Nele foi criado um espaço para a biblioteca infantil denominado Maurício de Sousa. O criador de Mônica, Cebolinha, Cascão e outros, nasceu na cidade e os seus personagens, vários deles, foram inspirados em amigos de infância, todos também de Mogi das Cruzes.  


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OSWALDO FRANCISCO DE ALMEIDA JÚNIOR

Professor associado do Departamento de Ciência da Informação da Universidade Estadual de Londrina. Professor do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação da UNESP/Marília. Doutor e Mestre em Ciência da Comunicação pela ECA/USP. Professor colaborador do Programa de Pós-Graduação da UFCA- Cariri - Mantenedor do Site.