ATIVIDADES EM BIBLIOTECAS


  • Apresentar experiências e exemplos de atividades desenvolvidas em Bibliotecas.

EDUCAÇÃO INDIRETA DO USUÁRIO

Nos textos das publicações específicas sobre educação de usuários na área da Biblioteconomia, encontramos uma distinção entre educação formal e educação informal de usuários.

A educação formal está centrada em ações que atuam voltadas para, explicitamente, preparar os usuários no uso de espaços, recursos e produtos informacionais. Entre essas ações, temos os cursos organizados para o emprego adequado de fontes bibliográficas, quer físicas quanto virtuais, incluindo o próprio catálogo presente no sistema das bibliotecas. Por sua vez, esses cursos são oferecidos nos espaços da biblioteca – em especial nas bibliotecas públicas – ou em salas de aula – nas bibliotecas escolares e universitárias, principalmente – fazendo parte de uma disciplina específica ou de uma programação de recepção de calouros ou eventos voltados à pesquisa. Podem ser aqui incluídos atividades como treinamentos, workshops, palestras, debates e outros mais.

A educação informal dá-se de maneira não estruturada previamente e se concretiza nas ações que ocorrem no dia a dia do fazer bibliotecário no espaço do Serviço de Referência. Ao atender um usuário, a questão apresentada por ele pode não ser exatamente uma questão de referência, mas a solicitação de ajuda para localizar um livro; apoio para uso do sistema; acesso a um documento nas estantes, informações para chegar a algum setor específico da biblioteca e outras dúvidas semelhantes. A ajuda para solucionar esses tipos de questões e necessidades, possibilita que o bibliotecário que está atendendo o usuário tenha condições de instruí-lo em relação ao desconhecimento ou inabilidade dele frente a uma ou mais de uma dessas questões. O bibliotecário se vale da necessidade apresentada pelo usuário para orientá-lo e, ao mesmo tempo, educá-lo sobre os procedimentos determinados e obrigatórios para o acesso dele aos materiais e às informações.

Na minha experiência com educação de usuários – em biblioteca universitária, pois foi em um espaço desse tipo que trabalhei por vários anos – percebi que, tanto a educação formal como a educação informal são importantes e devem ser praticadas. No entanto, as ações que desenvolvíamos, eu e toda equipe da biblioteca, eram pontuais e demandavam tempo; infelizmente, tempo que não possuíamos. Alguns, poucos, professores nos chamavam para conversar em suas disciplinas, focando temas relacionados com a informação e bases de pesquisas, mas o número de alunos atingidos era pequeno. Da mesma forma, os cursos, palestras e ações realizadas pela biblioteca, mesmo que fora de seus espaços, alcançavam um público aquém do que esperávamos.

Um dos maiores problemas não era a falta de tempo ou o pequeno número de usuários atingidos, como arrolei acima, o pior, na verdade, eram professores e alunos que, por inúmeros motivos, não acreditavam na importância da biblioteca para o ensino e o aprendizado, incluindo a pesquisa. A fala desconsiderando o fazer da biblioteca e a sua inutilidade ou, quando muito, defendendo que sua existência está restrita ao empréstimo de livros, derrubava todos os trabalhos e ações desenvolvidas por ela.

Pensando em amenizar – uma vez que a solução não é simples e fácil – esse problema, idealizei um trabalho que denominei de “educação indireta do usuário”. A ideia era atingir os alunos-usuários e alunos-usuários em potencial, não de forma direta, mas utilizando os professores como propagadores da importância e da necessidade imprescindível da biblioteca em todo o processo de ensino-aprendizagem.

Buscamos o contato com os professores divulgando materiais novos recebidos pela biblioteca encaminhados não apenas de forma individual, mas também na forma de um boletim, de um alerta de novidades.

Para o alerta de novidades solicitávamos aos professores que enviassem pequenas avaliações de livros ou artigos de revistas especializadas, envolvendo-os nas ações da biblioteca. Os alunos buscavam conhecer quais os textos com os quais os professores se identificavam e tais avaliações passaram a ser procuradas e lidas. O fato dos professores escreverem no Boletim-Alerta da biblioteca atestava, indiretamente, a importância dela. Não foram todos os professores que aceitaram, de pronto, o pedido, pois muitos motivos faziam com que a colaboração deles fosse limitada, mas, na medida em que outros colegas começaram a participar, o número dos que contribuíram aumento.

Buscando manter o interesse dos usuários, fossem alunos, professores, funcionários ou outros, incluíamos séries históricas de dados econômicos, ou pequenas notícias que tivessem uma “existência” por um período mais prolongado e os alternávamos com a relação dos materiais recém adquiridos e as avaliações produzidas pelos professores. (Cabe lembrar que esses trabalhos foram realizados na biblioteca da Fundação Getúlio Vargas de São Paulo que oferecia graduação, especialização e pós-graduação em Administração de Empresas e tinha forte interesse em aspectos administrativos, econômicos e sociais). Com isso trouxemos muitos professores para o espaço da biblioteca e a imagem deles em relação à biblioteca, certamente, melhorou. Muitos mais professores, com essa ação, passaram a apresentar em sala de aula uma imagem mais positiva da biblioteca.

O Setor de Aquisição, na época, oferecia um serviço para os professores, disponibilizando livros novos, em especial os publicados fora do Brasil, para que fossem conhecidos, analisados e, dentro dos interesses deles, adquiridos pela biblioteca. Óbvio que hoje esse tipo de serviço não tem mais razão de ser, mas na época era bastante procurado. Aproveitávamos a procura por esse trabalho para nos aproximarmos dos professores e oferecer outros serviços implantados nos espaços, principalmente, do serviço de Referência.

A educação indireta dos usuários não se centrava apenas na relação com os docentes. Procuramos alcançar os alunos – já tentando pela via indireta dos professores - e, para isso, nos aproximamos do Centro Acadêmico, uma vez que, como representante dos discentes, o alcance dele era muito mais abrangente. A forma inicial para trabalharmos em conjunto ou em diálogo, foi oferecendo um espaço em nosso Boletim-Alerta para que o Centro Acadêmico tivesse um outro veículo para se comunicar com os alunos. Outras ações ocorreram, como o uso por parte deles de alguns espaços de fluxo geral, dentro da biblioteca (o prédio da biblioteca, especialmente construído para ela, possuía seis andares), para exposições, pequenos murais etc.

Todos esses trabalhos redundaram em uma relação de proximidade entre os usuários, especialmente professores e alunos, e a biblioteca. Hoje, claro, ações diferentes e mais atuais devem ser procuradas, mas a ideia e a proposta da Educação Indireta de Usuários se traduzem em uma excelente opção para ser empregada nas bibliotecas.


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OSWALDO FRANCISCO DE ALMEIDA JÚNIOR

Professor associado do Departamento de Ciência da Informação da Universidade Estadual de Londrina. Professor do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação da UNESP/Marília. Doutor e Mestre em Ciência da Comunicação pela ECA/USP. Professor colaborador do Programa de Pós-Graduação da UFCA- Cariri - Mantenedor do Site.