ATIVIDADES EM BIBLIOTECAS


  • Apresentar experiências e exemplos de atividades desenvolvidas em Bibliotecas.

PROJETO: BIBLIOTECÁRIO CURSANDO DISCIIPLINAS DA UNIVERSIDADE ONDE ATUA

Na biblioteca da Fundação Getúlio Vargas de São Paulo, tínhamos a preocupação de preparar todos os que atendiam no Serviço de Referência no sentido que dominassem o jargão da área de administração. A EAESP/FGV - Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas -, na época, oferecia apenas o curso de administração de empresas, embora houvesse uma turma para administração pública, curso esse patrocinado pelo Estado de São Paulo.

O acervo da biblioteca, assim, tinha como foco principal, claro, a área de administração, mas outros segmentos faziam parte das preocupações e interesses das disciplinas e das pesquisas dos professores. Entre elas, a economia, a política, a sociologia, a história etc.

Os bibliotecários não são especialistas nas áreas de interesse de suas bibliotecas. É impossível que alguém, sendo ou não bibliotecário, possa conhecer de maneira aprofundada todos os segmentos do conhecimento humano presentes nas bibliotecas universitárias ou nas bibliotecas públicas ou mesmo nas bibliotecas escolares. Ainda se fossemos intelectuais, como já foi uma das exigências para o bibliotecário, a dificuldade para esse conhecimento seria a mesma que têm os bibliotecários de hoje.

Em bibliotecas especializadas, no entanto, os profissionais da área da Biblioteconomia devem conhecer, ainda que basicamente, o assunto com o qual trabalha a empresa, a instituição ou a faculdade. No caso que estamos contando, como já dissemos anteriormente, o assunto da faculdade era administração de empresas – e administração pública. O termo “era” foi aplicado uma vez que hoje a Fundação Getúlio Vargas de São Paulo oferece outros cursos de graduação e de pós-graduação.

No período em que a experiência que está sendo retratada se deu, havia, além dos cursos de graduação, cursos de especialização. Um deles, o CEAG – Curso de Especialização em Administração para Graduados – era muito conhecido e reconhecido pelo mercado.

A administração da biblioteca procurava preparar adequadamente os bibliotecários e assistentes tanto no atendimento aos usuários como no fazer dos serviços-meio, especialmente o Setor de Aquisição e o de Classificação. Entre as ações desenvolvidas nessa direção, uma delas estava relacionada a oferecer formas de conhecimento básico sobre administração ou outros temas entendidos como necessários para que os bibliotecários pudessem atuar de maneira mais eficiente.

Uma ideia surgiu e nós nos esforçamos para concretizá-la.

Fizemos contato com a Diretoria Acadêmica da Faculdade e apresentamos uma proposta que previa a participação dos bibliotecários em disciplinas básicas dos cursos de graduação (administração de empresas e administração pública).

Após o aceite, procuramos os professores responsáveis pelas disciplinas que nos interessavam e solicitamos a eles que recebessem como ouvintes, um ou dois bibliotecários. Os professores concordaram e iniciamos o projeto no semestre seguinte.

As disciplinas escolhidas eram as introdutórias de administração, economia, informática etc.

Vários bibliotecários participaram desse projeto, escolhendo as disciplinas que mais lhe interessavam e as cursando durante o período de trabalho. Eram eles liberados um ou dois meio-períodos por semana, em acordo com a quantidade de aulas da disciplina.

Como eram alunos ouvintes, não tinham direito a certificado de participação. Essa, no entanto, a partir do avanço da experiência, seria uma proposta a ser discutida com a direção da Faculdade, tornando os bibliotecários que frequentassem as disciplinas como alunos especiais.

Os bibliotecários que participaram do projeto relataram na época que se sentiam mais preparados para desenvolver seus trabalhos, na medida em que conheciam melhor os fundamentos básicos da área da disciplina cursada e, em especial, do jargão, do palavreado, dos termos utilizados pelos professores e alunos que faziam uso da biblioteca.

Os bibliotecários que atuavam no Serviço de Referência relataram que a entrevista de referência fluía mais fácil, pois os termos presentes na questão de referência formulada eram conhecidos pelas duas partes, ou seja, usuário e bibliotecário, e a estratégia de busca foi, por sua vez, muito mais facilitada.

Os que atuavam no Setor de Aquisição e os que trabalhavam com a classificação, também relataram que o trabalho desenvolvido ficou mais fácil e mais teoricamente fundamentado.

Algumas bibliotecas universitárias e públicas, se contarem com um número adequado de bibliotecários atuando no Serviço de Referência – que não é possível, ao menos no momento – podem determinar a divisão de atendimento por assunto, ficando cada bibliotecário responsável por uma dessas divisões.

Independente do caso, os bibliotecários das bibliotecas universitárias podem criar um Projeto que possibilite a eles participar de disciplinas na própria universidade onde atuam e os bibliotecários de bibliotecas públicas podem contatar universidades da região ou de locais próximos, e propor um Projeto semelhante ao que aqui foi relatado.


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OSWALDO FRANCISCO DE ALMEIDA JÚNIOR

Professor associado do Departamento de Ciência da Informação da Universidade Estadual de Londrina. Professor do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação da UNESP/Marília. Doutor e Mestre em Ciência da Comunicação pela ECA/USP. Professor colaborador do Programa de Pós-Graduação da UFCA- Cariri - Mantenedor do Site.