EU SEI, BASTA
Muito tempo na sua porta,
olhando por sobre o muro,
ouvindo sua voz em sussurro.
Caminhando no seu bairro,
passando na sua porta,
cabeça baixa, me escondendo.
Procurava o que não podia ter.
Meus sentidos sensíveis,
sentindo meus pobres desejos,
prevendo o que não será,
o que não pode ser, meu não ser.
Será minha saudade pelo não sido,
será minha lembrança do que não foi.
Pé roçando a parede, o portão,
esperança de tocar onde ela tocou.
Olhar assustado quando alguém,
que nada sabe, se aproxima.
Ela não sabe, mas eu sei. Basta.