CRÔNICAS E FICÇÃO


FORASTEIRO

Sou um forasteiro,

um velho marinheiro,

um abandonado cão

que cheira solidão,

que vive solidão.

 

Sou um imigrante,

o único gigante

numa terra de

pequenos.

Sou placa entre

acenos.

Sou prédio entre

casas.

Sou cimento entre

matas.

 

Sou um sorriso

entre lágrimas.

Sou raiz

que não vê

o mundo.

Estou longe

da terra

como, do poço,

o fundo.

 

Sou janela

que ninguém

percebe,

espelho que

só vê

o outro.

Um inútil

enterrado

tesouro.

 

Sou informe

dissociado da

notícia. Disforme.

Sou informação

longe da verdade.

Cadáver sem osso,

água sem poço.

 

Sou um presente

sem passado,

Um futuro atrasado.

Autor: Oswaldo Francisco de Almeida Junior

   250 Leituras


author image
OSWALDO FRANCISCO DE ALMEIDA JÚNIOR

Professor associado do Departamento de Ciência da Informação da Universidade Estadual de Londrina. Professor do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação da UNESP/Marília. Doutor e Mestre em Ciência da Comunicação pela ECA/USP. Professor colaborador do Programa de Pós-Graduação da UFCA- Cariri - Mantenedor do Site.