AO PÉ DA ESTANTE


AO PÉ DA ESTANTE... NO ITAMARATY


Hoje nos afastamos dos livros policiais, pois o escolhido é o brasileiro Sérgio Corrêa da Costa, embaixador e excelente escritor que, ao longo da carreira, tornou-se pesquisador inveterado de arquivos e bibliotecas.

Durante sua vida, tanto nos mais diversos postos representativos do Brasil como após a aposentadoria, publicou obras de interesse histórico, fruto de muita investigação e labor, sempre deliciosas e bem escritas, leves e instigantes, das quais escolhemos três.

A primeira, inicialmente lançada e premiada na França e, no ano seguinte (2000), traduzida e publicada no Brasil, Palavras sem fronteiras [Mots sans frontières], constitui-se em uma valiosa obra de referência, com 16 mil palavras e expressões comumente usadas no mundo inteiro, originadas de línguas arcaicas e modernas. São termos, aportuguesados ou não, que a todo momento escutamos e até usamos, sem saber sua história particular. Vejamos alguns destes termos: karaokê, workshop, tête-a-tête, carpaccio, habeas corpus, elite, abat-jour (em português, abajur), apartheid, entre outros. Também responde à pergunta sobre a língua de maior influência quanto às demais culturas. Para tanto, o autor valeu-se de rigorosa e exaustiva pesquisa em obras literárias, mas principalmente em mais de uma centena de jornais e revistas internacionais, de 15 países e em oito idiomas!

Em seguida, Crônica de uma Guerra Secreta [na capa, o subtítulo: Nazismo na América: A conexão argentina], quase uma história de espionagem ou policial, porém totalmente verídica e documentada. Durante a Segunda Guerra Mundial, entre 1944 e 1946, o ainda jovem diplomata serviu na Argentina, no período peronista. Segundo o próprio autor, competia-lhe “penetrar nos recintos mais vigiados do Archivo General de la Nación e fotografar documentos ultrassecretos, altamente comprometedores do governo argentino”, segredos que guardou até 2004, para evitar punições a funcionários. Esta obra explica e clarifica vários aspectos do nazismo na Argentina, inclusive a venda de passaportes a fugitivos nazistas, entre outros fatos desabonadores. Historicamente, abarca desde o início da ditatura getulista até o final da Segunda Guerra. Vale a pena para todos os interessados neste período de nossa História.

Deixamos por último a terceira obra (2001), intitulada Brasil, segredo de Estado: Incursão descontraída pela história do país. Sempre em estilo agradável e elegante, o autor nos conta e documenta fatos por vezes desconhecidos, por vezes sujeitos à contradição, e que respondem a perguntas como: Quando se deu verdadeiramente o descobrimento do Brasil? Como foi a história da Rainha Luiza da Bahia? Onde se encontra a certidão de nascimento do Estado de Israel? E inúmeras outras histórias da História, que no mínimo nos surpreendem. Segue este curto mas significativo trecho, com o qual esperamos aguçar a curiosidade de algum entusiasta leitor de textos sarasvatianos:

“A aliança com a Inglaterra constituía o mais antigo pilar da política externa portuguesa. Já no ano de 1372, o rei Fernando de Portugal firmara um tratado de aliança com os ingleses [...]. Este pacto unira os dois países – ambos na periferia da Europa – abrindo o caminho para um texto mais formal e específico, o Tratado de Paz, Amizade e Confederação celebrado em Windsor, em maio de 1386, o qual constitui o mais antigo tratado ainda em vigor.”


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SARASVATI

Nascida e criada na Índia, estudou na Universidade de Madras, morou em Goa (onde aprendeu português) e viajou pelo mundo em busca de autores e compositores diferentes. Apaixonada pela música brasileira, fixou-se em São Paulo, pela convivência pacífica entre religiões as mais diversas.