CARNAVAL
A folia,
a festa,
o encontro com Baco.
Rio,
Salvador
e ruas do Brasil.
O carnaval é embalado
por uma população invisível
que consegue trabalhar na multidão
empurrar carrinho pesado com bebidas geladas
controlar pagamentos
e, além disso, distribuir sorriso.
Os ambulantes e seus carrinhos estão presentes
em toda a folia: quase todos pretos.
Ali é possível encontrar três gerações envolvidas no trabalho: avós, filhos e netos.
Às vezes encontram-se uma mãe e seus filhos pequenos juntos:
ela cuida do negócio e dos filhos, ao mesmo tempo.
Ficam ali aos seus pés, junto ao carrinho.
Mais adiante, na avenida,
outra família: enquanto o pai empurra o carrinho de bebidas,
sua esposa o acompanha com o bebê que aparenta menos de 1 ano,
levam o filho para o trabalho.
A infraestrutura dessas duas grandes cidades do carnaval do Brasil
não valoriza o trabalhador que atende ao folião.
Esses profissionais, muitas vezes, dormem na rua durante todo o período da festa
para “cuidar” de seu espaço para a venda no dia seguinte.
Não há banheiros limpos, não há nenhum posto para que possam fazer sua higiene,
muito menos abrigo para dormir um sono tranquilo.
A maior festa afrobrasileira
vem da cultura ancestral do povo afrobrasileiro
da capacidade de cultivar por séculos
sua herança cultural e sabedoria.
O povo negro que estrutura o carnaval ainda não recebeu
o respeito
o reconhecimento
do legado que trouxeram ao país,
da renda que geram;
do bem cultural
que promovem no cotidiano do carnaval,
para a alma do povo brasileiro.