LEITURAS E LEITORES


CARNAVAL

A folia,

a festa,

o encontro com Baco.

 

Rio,

Salvador

e ruas do Brasil.

 

O carnaval é embalado

por uma população invisível

que consegue trabalhar na multidão

empurrar carrinho pesado com bebidas geladas

controlar pagamentos

e, além disso, distribuir sorriso.

 

Os ambulantes e seus carrinhos estão presentes

em toda a folia: quase todos pretos.

 

Ali é possível encontrar três gerações envolvidas no trabalho: avós, filhos e netos.

Às vezes encontram-se uma mãe e seus filhos pequenos juntos:

ela cuida do negócio e dos filhos, ao mesmo tempo.  

Ficam ali aos seus pés, junto ao carrinho.

 

Mais adiante, na avenida,

outra família: enquanto o pai empurra o carrinho de bebidas,

sua esposa o acompanha com o bebê que aparenta menos de 1 ano,

levam o filho para o trabalho.  

 

 

A infraestrutura dessas duas grandes cidades do carnaval do Brasil

não valoriza o trabalhador que atende ao folião.

Esses profissionais, muitas vezes, dormem na rua durante todo o período da festa

para “cuidar” de seu espaço para a venda no dia seguinte.

Não há banheiros limpos, não há nenhum posto para que possam fazer sua higiene,

muito menos abrigo para dormir um sono tranquilo.

 

A maior festa afrobrasileira

vem da cultura ancestral do povo afrobrasileiro

da capacidade de cultivar por séculos

sua herança cultural e sabedoria.

 

O povo negro que estrutura o carnaval ainda não recebeu

 o respeito

o reconhecimento

do legado que trouxeram ao país,

da renda que geram;

do bem cultural

que promovem no cotidiano do carnaval,

para a alma do povo brasileiro.


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ROVILSON JOSÉ DA SILVA

Doutor em Educação/ Mestre em Literatura e Ensino/ Professor do Departamento de Educação da UEL – PR / Vencedor do Prêmio VivaLeitura 2008, com o projeto Bibliotecas Escolares: Palavras Andantes.