LEITURAS E LEITORES


AEROPORTO E RODOVIÁRIA: UMA LEITURA DE CLASSES NO BRASIL

Ao viajar pelo Brasil e utilizar aeroporto ou rodoviária o passageiro tem a dimensão da distância no tratamento e na acomodação oferecidos nesses dois ambientes. 

A começar pela semelhança geral: ambos são instituições que cobram taxas para se utilizar seu espaço. Mas parece que as semelhanças param aí, dadas as condições díspares para seus usuários.

Em geral, na decoração dos aeroportos, as cores e o mobiliário constituem harmonicamente o ambiente, desde a área externa à área interna, com tons neutros que combinam um com outro mais forte. Às cores misturam-se estruturas de ferro, aço policromado, vidros e madeiras.

A climatização é eficiente e silenciosa. O piso, sempre impecável na limpeza e brilho do granito, ajuda as rodinhas da bagagem a deslizarem mais celeremente. Há carrinhos limpos, novos e disponíveis para a bagagem. 

Elevadores em cada setor e sinalização para pessoas que as possam necessitar. O sistema de som é eficiente, antes de iniciar a mensagem, dispara sinal sonoro, agradável.

O setor de informações está visível, em destaque no ambiente. Às vezes há informações impressas além de funcionários para atender com precisão aos passageiros.

Os banheiros dos aeroportos estão dispostos em todos os setores, com designação individual (masculino e feminino) e em grupo (familiar). Em geral, são bem cuidados, limpos, boa iluminação, papel e toalha/ ou aparelho elétrico para secar as mãos. Tudo já está incluído na taxa de embarque, não se paga novamente para usar o banheiro.

Por outro lado, as rodoviárias quase sempre parecem insuficientes em muitos aspectos, dentre eles o espaço físico geral, a pintura, a iluminação e a limpeza, especialmente dos banheiros. A impressão que se tem é que foram construídas há décadas e não houve manutenção ou reformas frequentes.

Externamente o edifício das rodoviárias são feios, o cuidado e a beleza que se tem com os projetos dos aeroportos não são os mesmos para as rodoviárias. 

O espaço, com o passar dos anos, não recebeu as adequações para o número de usuário que atende, pois carece de pintura, a mobília nem sempre oferece o conforto aos mais velhos. Em geral, não há escadas rolantes e, quando há elevadores, são poucos. A iluminação é ruim, como se os sistemas públicos não tivessem arquitetos, engenheiros que pudessem oferecer projetos mais adequados ao espaço.

Os banheiros das rodoviárias talvez sejam um dos aspectos mais sensíveis dessa instituição, pois quase sempre estão mal limpos, com pouco papel higiênico ou toalha. Secador elétrico são poucas rodoviárias que possuem e, quase sempre, quebraram e permanecem sem manutenção. O passageiro já tem o hábito de enxugar as mãos nas roupas.

Tanto os passageiros do aeroporto quanto da rodoviária pagam taxas de embarque, que incluem os banheiros limpos, organizados etc. Ocorre que nas rodoviárias nem todos os banheiros são gratuitos. Se o passageiro quiser usar um banheiro mais limpo e organizado, é melhor pagar. 

O banheiro da rodoviária é descuidado, mal iluminado e a limpeza deixa a desejar. Está muito distante da iluminação, dos equipamentos novos, pintura e na qualidade dos produtos que são usados para a limpeza do aeroporto. O cheiro é outro! A qualidade do papel higiênico da rodoviária é inferior ao que é disponibilizado no aeroporto. 

O espaço para embarque na rodoviária nem sempre tem assentos para todos os passageiros, como ocorre geralmente nos aeroportos. 

Quanto à climatização do ambiente: nem tem comparação, pois dificilmente as rodoviárias são climatizadas, mal têm ventiladores.

As diferenças não estão apenas em cidades pequenas, com pouca estrutura. Há cidades médias e de grande porte que as rodoviárias são ambientes lúgubres, malcuidados, que oferecem pouco conforto aos seus usuários.

Essa leitura provisória, entretanto, evidencia diferenças nos espaços e, também no tratamento à pessoa, disponibilizados pelas principais infraestruturas de transporte de nosso país. 


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ROVILSON JOSÉ DA SILVA

Doutor em Educação/ Mestre em Literatura e Ensino/ Professor do Departamento de Educação da UEL – PR / Vencedor do Prêmio VivaLeitura 2008, com o projeto Bibliotecas Escolares: Palavras Andantes.