LITERATURA INFANTOJUVENIL


A ÚLTIMA PALAVRA

Antigamente a última palavra era sempre da autoridade masculina, isto é, aquele que detinha o poder, mas fique tranquila, pessoa leitora (pra não usar só no masculino), que esse espaço não é para protesto ou reclamação!

Hoje estou leve, reflexiva, saudosa, com uma dose alta de emotividade na veia então vou contar a mais nova experiência que tive com a literatura infantil. Faço isso porque estou com mais vontade de declarar ao mundo digital o meu incansável desejo de espalhar palavras e literatura infantil.

Outro dia, parada no ponto de ônibus, escutei vindo do meu coração alguns ruídos que tentavam se comunicar com os macaquinhos no sótão do meu cérebro. Estou lendo pouco literatura infantil (pelo menos na quantidade que eu gostaria) e meu uma louca vontade de encontrar novas palavras e novos fazedores de palavras. Algo mais ou menos assim: um livro infantil novo recheado de palavras escrevinhadas ou desenhadas.

Coincidência ou não recebi uma mensagem da Leide, da Livraria Ciranda em Londrina, que me avisava ter recebido um livro novo do escrevinhador e desenhador André Neves. Acho que ela pensou assim: “vou espalhar cheiro de livro novo e a Sueli vai querer!” Dito e feito.

Apesar do tempo que está me faltando, livro de André Neves é irresistível!

Veja na foto: essa é a obra A última palavra que foi publicada pela Telos Editora (São Paulo) e na minha experiência digo: “a obra não é para amadores!”

 

Sempre tive a sensação que o André Neves veio de outra galáxiam, mas dessa vez ele ultrapassou todos os limites imagináveis. Suas obras são de muita sensibilidade, complexidade e profundidade que atinge a alma. Ele como autor e ilustrador não entrega qual é o tema do livro de bandeja, é preciso estar atento a cada traço intencional. Por exemplo: encontrar a palavra-tema desse livro logo nas primeiras páginas, escrita num papel abandonado e um tanto amassado é paralisante para quem lê o livro.

Minha vizinha que leu o livro primeiro do que eu, avisou – você vai chorar!

Para uma pessoa que ouviu a palavra Alzheimer (palavra difícil de escrever corretamente!) proferida da boca do médico diante do diagnóstico de seus familiares é dolorido. Em casa a caminhada foi essa: primeiro a Ba, depois o Zé e depois a Ia (vó Barbara, pai José e mãe Maria)

Por outro lado, é uma experiência gigantesca. O livro A última palavra nos leva a compreender esse processo por meio de uma atmosfera imaginária e leve. André informa para o menino e pra gente que avó, no seu mundo, começa engolir paulatinamente as palavras restando apenas: silêncio e amor

Sugestão de Leitura:

NEVE, André. A última palavra. São Paulo: Telos Editora, 2026.


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SUELI BORTOLIN

Doutora e Mestre em Ciência da Informação pela UNESP/ Marília. Professora do Departamento de Ciências da Informação do CECA/UEL - Ex-Presidente e Ex-Secretária da ONG Mundoquelê.