QUERO MAIS RICARDO AZEVEDO EM 2026
Sou hiper-fã de Ricardo Azevedo, um escritor e ilustrador paulista com mais de 100 livros publicados para crianças e jovens no Brasil, mas também na Alemanha, Portugal, México e Holanda.
No final do ano passado uma goteira no quarto do meu sobrinho Tiago, danificou o livro desse autor intitulado Contos de Adivinhação. Como bibliotecária experiente fui chamada para salvar a obra. Apesar dos meus cuidados carinhosos ela não voltou ao normal, está um pouco torta; sem deixar de ser linda e maravilhosa.
Um tanto entristecida pelo desastre ocorrido, resolvi reler as obras que tenho dele para me alegrar. Alegrar o leitor é a principal característica das obras do Ricardo. Que são engraçadas desde o título, dois exemplos: Uma velhinha de óculos, chinelos e vestido azul de bolinhas brancas (um tanto longo, algo incomum na literatura infantil!) e Esqueleto, tomate e pulga (parece sem pé nem cabeça!).
Ricardo é também um pesquisador da cultura popular, muitos dos seus livros têm como base o folclore e as narrativas de gentes do povo, coletados em vários estados brasileiros.
O impulso de relê-lo, me fez descobrir que tenho apenas quinze livros de sua autoria, são eles: Alguma coisa, Contos de enganar a morte, Livro das palavras, Menino de orelha em pé, Moça de bambuluá, Sábio ao contrário, Um homem no sótão, A vida e a outra vida de Roberto do diabo, No meio da noite escura tem pé de maravilha!, Dezenove poemas desengonçados, Armazém do folclore e Contos de adivinhação.
Seu primeiro livro é Um homem no sótão e foi publicado quando Ricardo tinha apenas 17 anos. O personagem principal é um escritor, aparentemente solitário, que ao buscar inspiração, enfrenta a rebeldia de diferentes personagens. Esse livro recebeu prêmios desde a sua publicação, por exemplo: em 1982 do Banco Noroeste/Bienal do Livro (melhor texto infantil) e, em 1983, a Menção Honrosa na Bienal de Ilustração de Bratislava (Checoslováquia). Um homem no sótão foi o primeiro livro desse autor que eu li e, se a memória não me falha, isso aconteceu em 1983. Desde lá gostei muito!
Por ter poucos livros e para correr atrás do prejuízo, quando o calendário 2025/2026 virou, fiz o propósito de comprar nos primeiros meses do ano O moço que carregou o morto nas costas e outros contos populares, Histórias de bobos, bocós, burraldos e paspalhões, Trezentos parafusos a menos, Papagaio come milho, periquito leva a fama!, Você diz que sabe muito, borboleta sabe mais! entre outros.
Mesmo sendo um impulso infantil de fã, quero dizer que tenho a sensação que Ricardo Azevedo em si é um livro! Tem domínio de palavras e de traços que provocam encantamento. Me parece que tem o livro não só como carreira profissional, acredito que ele acredita na potencialidade do livro e isso é possível observar no poema Dentro do livro que está na obra Dezenove poemas desengonçados:
Tem partida,
tem viagem,
tem estrada,
tem caminho,
tem procura,
tem destino
lá dentro do livro.
Tem princesa,
tem herói,
tem fada,
tem feiticeira,
tem gigante,
tem bandido,
lá dentro do livro.
Quanto mito,
quanta lenda,
quanta saga,
quanto dito,
quanto caso,
quanto conto,
lá dentro do livro.
Tem tragédia,
tem comédia,
tem teatro,
tem poesia,
tem romance,
tem suspense
lá dentro do livro.
Tem passado,
tem presente,
tem futuro,
tem moderno,
tem o velho,
tem o novo
lá dentro do livro.
Tem verdade,
tem mentira,
tem juízo,
tem loucura,
tem ciência,
tem bobagem
lá dentro do livro.
Tem estudo,
tem ensino,
tem lição,
tem exercício,
tem pergunta,
tem resposta
lá dentro do livro.
Quanta regra,
quanta norma,
quanta ordem,
e quanta lei,
quanta moral,
quanto exemplo
lá dentro do livro.
Tem imagem,
tem pintura,
tem desenho,
tem gravura,
tem estampa,
tem figura
lá dentro do livro.
Tem desejo,
tem vontade,
tem projeto,
tem trabalho,
tem fracasso,
tem sucesso,
lá dentro do livro.
Quanta gente,
quanto sonho,
quanta história,
quanto invento,
quanta arte,
quanta vida
há dentro do livro!
AZEVEDO, Ricardo. Dezenove poemas desengonçados. 7.ed. São Paulo: Ática, 2006.