LEITURAS E LEITORES


BARCELONA: IMPRESSÕES INICIAIS

Há uma semana estou em Barcelona e permanecerei até 31/01/06. Nesse período de estudos na Universidade Autônoma de Barcelona (UAB) sobre a leitura e formação de leitor, estarei escrevendo sobre a cidade, a universidade, as bibliotecas, escolas, enfim, tudo que convier a essa coluna.

Barcelona é uma cidade localizada na região espanhola conhecida como Catalunha. É uma das regiões mais ricas da Espanha e também tem (ou quer ter) uma vida própria. Aqui se fala o catalão e o espanhol (principalmente para os estrangeiros).

O catalão é uma língua que foneticamente se parece com a entonação do português de Portugal e a escrita se assemelha, em muitas palavras, mais ao português que ao espanhol. O povo daqui tem orgulho de sua língua e fica feliz quando se mostra o interesse por seu idioma.

A cidade, como toda urbis rica e moderna, esbanja aparatos tecnológicos, mas sem ostentar. Há quase que um disfarce pensado para que não percebamos a sua opulência. Seus edifícios são muito bem cuidados, não lhes faltam entalhes, lustres, detalhes decorativos que aos poucos vão nos enchendo os olhos.

Em Barcelona é como se os nossos olhos não pudessem ver tudo de uma única vez, tal é a quantidade de detalhes. Há uma combinação que lembra o Barroco, muitos estilos tentando combinar, oferecer um equilíbrio a tudo. Nada é totalmente reto, há sempre uma curva, uma linha sinuosa. Há muito ferro, madeira e aço policromado.

É uma cidade, principalmente na área central, plana. Estruturada para que se caminhe bastante por suas ruas, por suas Ramblas como são conhecidas as principais avenidas da cidade. Basicamente as principais avenidas têm as pistas laterais duplas e uma no meio (que não é pequena!), construída para pedestres e bicicletas. Também há miniparques para as crianças que, sob os olhares dos pais, todas as tardes, depois da aula, brincam, correm, etc. É impressionante como essa tradição é forte por aqui. Vi isso não só em Barcelona como em todas as cidades vizinhas que visitei. Outro aspecto importante é que os pais são enérgicos com as crianças de modo a corrigi-las e nao humilhá-las.

Nas ruas do centro há sempre uma multidão a caminhar. Tudo começa realmente às 10h da manhã, mas se estende até mais tarde. Embora as aulas comecem às 9h. Dorme-se tarde e fica-se muito na rua à noite.

Há museus, parques famosos e metrô, trem e ônibus para toda a cidade e região. Tudo muito funcional. Aqui tudo é muito direto que, às vezes, até incomoda a gente, aos poucos, vamos entendo um pouco a maneira direta de falar, de expressar que parece um pouco brusca para nós, mas só é uma forma cultural. Na verdade, o povo é muito educado.

Entrar em Barcelona pelo Bairro Gótico, onde existem ruínas romanas, numa noite enluarada não se tem palavras para exprimir a sensação causada. Como também a pujança da cidade com o seu porto ultramoderno, 8km de extensão divididos em navios de passageiros (que podem ser atracados 9 por vez) e navios cargueiros, a maioria das embarcações. Do alto do Parque Montjuic se vê toda a cidade, o porto, o Mediterrâneo.

Quando se chega a Barcelona, do avião, o Mediterrâneo nos dá as boas vindas, mas é emocionante quando no meio de uma cidade, rasgando o céu, torres altivas, como se estivessem tentando tocar o céu são vistas, ou seja, as torres da Sagrada Família, de Gaudí. Uma igreja incomum, que provoca a gente. É de se pensar como a sensibilidade artística de um homem pode mobilizar a história de um povo. Há arte em toda a parte, parques, jardins, igrejas, na praia.

O aeroporto está calculadamente construído fora da zona urbana, ou melhor, os aviões não sobrevoam a cidade, só se os vê de longe ao mar.

A leitura aqui está em toda parte. Há livrarias, praticamente, em cada quarteirão. Há dois jornais que são distribuídos nas ruas e nos metrôs, gratuitamente. Aqui na universidade também tem um ponto de distribuição logo na praça principal. Enfim, tudo induz e seduz para a leitura, sem muito alarde, do modo mais "informal" de se mediar a leitura.

Há dois brasileiros que são muito conhecidos aqui. Claro que um é do futebol e o outro, da literatura. Ronaldinho gaúcho está em todas as estações de trem em anúncios. As camisetas com seu nome nem se fala... é gente de todas as raças a vestir camisetas com nomes de craques brasileiros. Camisa da seleção brasileira em muitas vitrinas. É impressionante!

Paulo Coelho é muito conhecido aqui. Há anúncios principalmente nos ônibus sobre o seu último lançamento. Já vi algumas pessoas lendo livros dele no metrô. Enfim, o Brasil está na moda e dizem que já esteve mais.


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ROVILSON JOSÉ DA SILVA

Doutor em Educação/ Mestre em Literatura e Ensino/ Professor do Departamento de Educação da UEL – PR / Vencedor do Prêmio VivaLeitura 2008, com o projeto Bibliotecas Escolares: Palavras Andantes.