LITERATURA INFANTOJUVENIL


TEXTOS PARA DORMIR OU PARA DESPERTAR CONSCIÊNCIA

Algumas pessoas não aceitaram quando eu falei no facebook, em 2020, que estávamos em um período de chumbo. Respeito, mas tenho certeza que estou certa (e não me importo se essa afirmação esteja carregada de arrogância).

A atual equipe (com membros e decisões inconstantes) que governa o Brasil é deprimente. Porém, desde o período de campanha, já demonstrava o que pensava e o que queria, então não fui surpreendida.

Quero dizer que, em geral, essa equipe é “eficiente”, conseguiu tirar de mim a paz e o humor que eu sempre cultivei.

Então, a saída é resistir. A saída é ler, ler, ler e sobreviver no meio de tanta falta de leitura de mundo. Paulo Freire que nos salve!

Pensando nisso, no dia 12 de novembro comprei o novo livro de Chico Buarque, um dos meus ídolos (tenho ídolos e não mitos!). Para aqueles que desconhecem a literatura produzida pelo Chico ele já publicou: Roda Viva (não tenho), Gota D’água (não tenho), Ópera do Malandro (não tenho), Estorvo (tenho), Budapeste (tenho), Leite Derramado (tenho), O irmão alemão (tenho), Essa gente (tenho) e Anos de Chumbo (tenho).

O último livro Anos de Chumbo li em apenas um gole. Ele é a estreia do autor no gênero – contos. Possui enredos instigantes e carregados de humanidade e subjetividade surpreendentes que deixaram um gostinho de quero mais... (que pena que alguns não podem ver um sorriso estampado no meu rosto que comprova que Chico é MARAVILHOSO!)

Após esse preâmbulo de tietagem e focando o tema da minha Coluna, quero conversar a respeito da produção infantil dele. Pode ser que as pessoas que não conhecem os livros infantis compostos por ele, possam imaginar que como um compositor com letras tão densas voltadas para adultos pensantes, se despe e escreve para crianças. Uso a palavra despe, para lembrar que escrever para o público infantil não é para amador. Amador é aquele que acredita que criança é um ser-consumidor que aceita qualquer produção empobrecida. Já se foi o tempo, que por falta de opção, a criança ficava atenta diante de um texto que a deixava entediada. - Não gostou, partiu pra outro. Atualmente temos muitas opções, basta visitar uma livraria ou os catálogos de editoras especializadas.

Começo falando de um dos livros mais encantadores - Chapeuzinho Amarelo que foi publicado pela primeira vez pela Editora Berlendis & Vertecchia com ilustração de Donatela Berlendis. A edição que eu tenho é a 2ª (1980). No verso da folha de rosto consta “Este livro foi considerado altamente recomendável pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil”. Posteriormente essa obra foi ilustrada por outro ídolo meu – Ziraldo e publicada pelo José Olympio. Gosto das duas edições, pois a narrativa é a mesma com ilustrações em estilos diferentes, mas maravilhosos!

 

 

 

 

Outro livro muito importante no acervo infantil publicado em terras brasileiras é o texto Os Saltimbancos que foi inspirado no conto Os Músicos de Bremen, dos Irmãos Grimm e traduzido e adaptado por Chico Buarque. Vale destacar que nos três formatos que tenho consta a informação de que o texto original é do italiano Sergio Bardotti e as composições de Luis Enriquez Bacalov.

- Primeiro formato: Programa da peça Os Saltimbancos [1980] Suely Muniz informa que a Escalada Produções Artística

[...] depois de pesquisas, concluiu que “SALTIMBANCOS” foi o texto mais solicitado pelas crianças e adolescentes, nos últimos anos. Todo nosso empenho concretizou-se num espetáculo que acreditamos ser muito divertido, além de propiciar matéria para reflexão sobre nossa realidade mais imediata. Se os bichos forem substituídos por grupos oprimidos da nossa sociedade, fica muito clara uma contundente mensagem de união e solidariedade.

- Segundo formato: Livro Os Saltimbancos, na minha edição foi publicado pela Autêntica, em 2017 tem ilustrações de Ziraldo com uma capa muito representativa e colorida. Segundo consta na web, esta obra encontra-se esgotada. Penso que, como estamos em Anos de chumbo poderia ser reeditado, isto é, desde que não seja um perigoso para ninguém.

 

 

- Terceiro formato – Cd, que foi também Long play e fita cassete e com certeza alegrou muitos domingos de várias gerações.

 

 

Para finalizar essa conversa, escolhi uma música desse CD. Fiz isso por considerá-la atual. Espero que seja para você leitor uma viagem ao passado. Tem canções, que infelizmente não envelhecem, então está cabendo no presente e quem sabe no futuro seja apenas memória de tempos difíceis.  

Minha Canção

Dó, ré, mi, fá, sol, lá, si, dó. Dó, si, lá, sol, fá, mi, ré, dó

Dorme a cidade,
Resta um coração
misterioso
Faz uma ilusão,
soletra um verso,
larga a melodia,
singelamente
dolorosamente
Doce a música
silenciosa,
larga o meu peito,
solta-se no espaço,
faz-se certeza,
minha canção.
Réstia de luz onde
dorme o meu irmão.


Ops! Preciso voltar ao título dessa Coluna (Texto para dormir ou para despertar) que não era uma pergunta, mas que pode ser.

Resposta: depende, pois um texto pode fazer dormir ou despertar. A decisão é  do leitor, do ouvinte, do expectador...


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SUELI BORTOLIN

Doutora e Mestre em Ciência da Informação pela UNESP/ Marília. Professora do Departamento de Ciências da Informação do CECA/UEL - Ex-Presidente e Ex-Secretária da ONG Mundoquelê.