LIVROS SEM PALAVRAS DA SILVANA DE MENEZES: SE VOCÊ AINDA NÃO CONHECE, NÃO SABE O QUE ESTÁ PERDENDO...
Ana Paula Pereira
Recebi o convite da professora Sueli Bortolin (minha orientadora de TCC no curso de Biblioteconomia da UEL e amiga) para falar um pouco sobre uma das minhas autoras favoritas: a Silvana de Menezes. Sei que ela tem livros com texto escrito, mas meus preferidos são seus livros sem palavras. As ilustrações da Silvana de Menezes são marcantes: geralmente com um colorido bem brasileiro (característica que aprecio) e os personagens com olhos grandões. Quem já conhece, reconhece de longe! Tive contato com os livros da Silvana quando coletávamos títulos para compor uma listagem de livros sem palavras para o projeto da iniciação científica em 2015.
Silvana de Menezes é uma autora mineira, natural de Belo Horizonte.
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| Fonte da Imagem: Grupo Editoral Lê. Elaborada com recursos do Canva. |
Quando criança, Silvana quis ser várias coisas, mas sempre soube que o seu caminho seria o da arte. Só não sabia se a sua especialidade seria a escrita, o desenho, o cinema ou a escultura. Em Belo Horizonte, formou-se em Belas Artes pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e habilitou-se em Cinema de Animação. Isso permitiu desenvolver seu trabalho como artista plástica, cineasta, cenógrafa e roteirista. (Lê, 2022).
Lembro que o primeiro livro que amei foi “A ovelha negra da Rita”. É uma obra com temática dolorida por retratar a fome e a miséria, mas sem deixar de lado o cunho humorístico da autora. Com o tempo, consegui adquirir esta obra e logo descobri o livro “Cabelinho vermelho e o lobo bobo” que a professora Sueli já citou em uma de suas colunas. Encomendei esse livro na Livraria da UEL e lembro que quando a pessoa foi me entregar comentou: “Nos divertimos muito com seu livro!” Silvana tem esse “dom”, geralmente suas histórias são alegres e divertidas e sempre com final surpreendente. Nesse sentido, seus livros sem palavras são narrativas ideais para quem gosta de ser surpreendido com desfechos inesperados.
Quero comentar também sobre a forma que Silvana de Menezes brinca com os clássicos da literatura infantil e faz releituras: Pinóquio virou “Finóquio”, João e o Pé de feijão ela transformou em “Joana e o pé de feijão”, Chapeuzinho vermelho para ela é “Cabelinho vermelho e o lobo bobo” (que já comentei), Os três porquinhos em “Os três porquinhos e o lobo barrigudo” só para citar alguns exemplos.
Em relação ao livro “Cabelinho vermelho e o lobo bobo”, a autora optou por um avô ao invés de uma avó. Assim também no livro (meu achado mais recente) “O zumbido no ouvido do biso”. Isso me lembrou o meu amigo e médico Dr. Nilton Carlos Ferreira que tem zumbido nos ouvidos e relatou que a sensação é de duas cigarras morando uma em cada orelha (segundo ele duas, porque são democráticas). É exatamente com isso que Silvana brinca. Mas a obra vai mais além retratando a relação de amizade e cuidado de bisneta para bisavô e vice-versa. Bom, não vou falar mais nada para não dar pistas demais.
Vale lembrar que a Silvana de Menezes tem outros livros sem palavras. Só para citar mais alguns desse gênero: “Mundo cão”, “O beijo do sapo”, “Raul e o baú do vovô”, “O vaga-lume”, “O Pintinho do Lelé” e “Os três porquinhos em perigo”. E é difícil escolher um só, para recomendar a leitura. Minha mãe que também se tornou leitora de livros sem palavras adora os livros da Silvana e dá boas risadas. Então, apoiada no autor André Neves, posso afirmar que os livros sem palavras são obras para todas as infâncias.
Referências