UMA HISTÓRIA JUDAICA
Quando mudamos de uma moradia para outra “é bom e aconselhável” fazer um processo de descarte daquele amontoado de papéis que temos dificuldade de desapegar. A falta de coragem me fez adiar esse processo e carreguei mais itens que necessito.
Atrasada hoje comecei a mexer numa caixa que sabia ser preciosa, pois tinha textos avulsos que li, gostei e guardei carinhosamente.
Nessa tarefa reencontrei um texto...
Quando a gente gosta de histórias e não consegue guardar tudo na memória “é bom e aconselhável” anotar a fonte ou recortar da revista ou do jornal em que você leu.
Pela conversa até aqui dá pra notar que vou falar de um texto impresso. Sim uma página especial da Revista Ícaro Brasil que tinha como objetivo publicar “antigas história de todos os povos”. Não me lembro quando guardei isso, o único detalhe que tenho certeza é que ganhei esse exemplar da revista numa viagem.
Nela há um texto que antecede a história que vem carregado de muita verdade, digo verdade, pois é exatamente o que eu acredito desde a minha infância rodeada de narradores de histórias.
“As histórias são, na verdade, palavras mágicas que têm um efeito vivificante e transformador. O mistério que elas contêm renova e alimenta a experiência que nós, seres humanos, temos vivido e revivido desde tempos imemoriais.”
Na sequência foi acrescentado a seguinte história:
Os judeus [...] contam que sempre que algum infortúnio ameaçava-os de alguma maneira, um certo rabino ia lá para um lugar na floresta, acendia uma fogueira, fazia uma prece, e as coisas se resolviam. Com o passar do tempo, essa tarefa coube a um outro rabino que conhecia o tal lugar na floresta e a prece, mas não sabia acender a fogueira. E tudo acabava bem. Um terceiro rabino só conhecia o lugar, não se lembrava mais da prece nem da fogueira. Mas ainda assim, dava tudo certo. Por fim, essa missão ficou a cargo de um último rabino que não sabia qual era o lugar da floresta, não sabia acender a fogueira e também não se lembrava da prece. A única coisa que sabia fazer era contar a história. E era o suficiente. (grifo meu)
Essa semana o meu único tio (irmão da minha mãe, pois os do meu pai já partiram todos) fez 90 anos. Nos reunimos em volta dele e o provocamos para que falasse das suas vivências na juventude. Do trabalho como fotógrafo na Folha de Londrina, da sua paixão pela fotografia, dos incontáveis amigos donos de pombo-correio, das conversas feita pelo radioamador etc. etc.
Sentir essa riqueza toda foi bom demais! Narrar é bom demais!!!
Para você que está lendo essa Coluna, convido a entrar no Movimento pela Oralidade. Conte histórias reais ou ficcionais e verá como isso é terapêutico e afetivo!
Desejo que 2026 seja de muitas conversas e narrativas inspiradoras.