LITERATURA INFANTOJUVENIL


DOS HQS AOS MANGÁS

Meses atrás estava eu conversando com alguns alunos de Biblioteconomia e sobre histórias em quadrinhos (HQs), quando um aluno disse: hoje é preciso falar também de mangá, pois os leitores infantojuvenis gostam muitoooo (estiquei a palavra porque foi assim que me soou).

O aluno tinha razão, hoje o mangá não está apenas em terras japonesas, há no Brasil muito mangá traduzido para o português e, consequentemente, muitos leitores de mangá. E eu, que me acho uma “acumuladora de livros infantojuvenis”, não tenho nem um mangá na minha coleção. Preciso suprir essa lacuna. Preciso ir à Livraria Ciranda em Londrina para me atualizar.

Antes de contar o que eu encontrei na Ciranda, marquei uma conversa virtual com meu sobrinho Tiago Bortolin de Abreu Pestana. Tiago tem 15 anos e quando perguntei se gostava de mangá, ele respondeu:

Gosto e leio bastante, pois é um passatempo. Tem bastante coisa que eu gosto no mangá que me deixa intrigado.

O que te atrai no mangá?

Você pode ser atraído pela história, pelo designer, pelos personagens essas coisas. O que me atrai no mangá é muito relativo. Tem alguns com pouco desenvolvimento e com história e personagens ruins.

Há mangá impresso e mangá na web: qual você prefere?

O tipo de mangá que eu gosto é o da web, pois o impresso é bem caro e não dá para ir comprando. O da internet é de graça e dá pra ficar lendo bastante.

Seus amigos gostam de mangá? Vocês conversam sobre mangá?

Converso bastante, mas só converso bastante com meu amigo que lê a mesma coisa que eu. Alguns preferem assistir anime.

Meu inglês é tupiniquim, o que é anime?

É abreviatura de animation. A maior parte dos animes são feitos com base em mangá.

É verdade que tem mangá que vira filmes e tem filme que vira mangá? Como é a sua leitura nesse movimento?

Eu nunca li mangá que já virou filme, mas eu conheço um mangá que já virou filme. Eu pretendo ler ainda. O título é “No limite do amanhã”

Qual o mangá que você mais gostou até agora?

Jojo’s Bizarre Adventure Part 7: Steel Ball Run 0 - escrito e ilustrado por Hirohiko Araki.

Você conhece alguém que faz mangá?

No meu círculo de amizade não conheço ninguém que faz mangá.

Andei olhando vários mangás e acho que as ilustrações são maravilhosas, dá até vontade de desenhar mangá. Você já pensou em fazer isso?

Já pensei em fazer mangá, mas vi que não vai dar muito certo. Precisaria de uma equipe para fazer. É difícil desenvolver uma história com personagem bom, com história boa. Não dá para ficar pegando referência de um personagem que eu já li. Preciso de mais experiências. Já pensei. Já pensei, mas eu só desenho por puro hobby.

Coincidência ou não um amigo, Paulo Tio, me convidou para tomar um chá quente na padaria perto de nossa casa para colocar as novidades em dia... Ele é escritor, ilustrador, kirigamista que tem se dedicado há anos ao ensino da arte do desenho para crianças e jovens. Dentre suas oficinas está a de mangá. Como ele já morou no Japão tem o que contar. Primeiro narrou que no Japão a gente compra bem barato nos sebos mangá intacto (como se estivesse novo).

Então, na minha ignorância aproveitei para perguntar se todo mangá é escrito de trás para frente, ele respondeu: no Japão tudo é assim. Lá há muito incentivo para ler mangá. Creio que deve haver mangá que não seja de trás para frente, mas é mais comum, pela influência japonesa na produção do mangá, o tradicional. Falou também que há mangá temático, por exemplo, para mulheres.

Curiosa como sou, fui para web: descobri que há mangás para mulheres, mas também há mangás destinados aos garotos, porém feitos por garotas. Esses mangás são denominados de shounens, que segundo Nick Narukame

[...] são publicações de histórias em quadrinhos no formato mangá em revistas especializadas nipônicas voltadas para o público masculino em geral. Mas, apesar do gênero ser voltado para os rapazes, há obras incríveis feitas por mulheres provando que, mesmo em um ambiente majoritariamente masculino em sua essência, todas mandam tão bem quanto os mangakás [quadrinistas] que, teoricamente, estariam em seu “habitat natural”.

Envergonhada por não ter lido um mangá na íntegra até hoje, comprei na livraria Ciranda, em Londrina, o primeiro volume da coleção A menina do outro lado da autora Nagabe que é publicado pela Editora Darkside Books.

Como estava de carona com a mãe do Tiago já aproveitei e pedi para ela levar para ele com o pedido: ler e me dar opinião sobre a história. Que pedido ignorante! A resposta suscinta de adolescente, um tanto exibido (já estou imaginando a cara dele, quando ler essa Coluna!) veio dois dias depois: Tia eu gostei da história, mas preciso ler os outros volumes. Acabei descobrindo que já tem seis volumes e agora estou me sentido na obrigação de saciar a curiosidade dele. Os volumes custam mais de R$50,00 cada, mas lá vou para o sacrifício bancário (espero que percebam o tom de brincadeira dessa frase).

Mas, o que eu achei do livro? Gostei muito também, mas confesso que minha mão estranhou a forma de passar as páginas do lado oposto ao que fiz a vida toda. Meus olhos, nas primeiras páginas tendiam a olhar o balão da esquerda e depois para a direita, mas logo percebia que só havia sentido ler os balões da direita para a esquerda. Algo fácil de acostumar e o bom exercício de mudança de perspectiva.

Enfim, o território dos mangás é extenso. Principalmente hoje que está ocupando exponencialmente o ambiente digital. Ambiente este que apenas visitei en passant, pois haja fôlego e olhos para tanto... não dei conta!!!

Fonte:

NARUKAME, Nick. 8 mangás shounen criados por mulheres e que você não sabia. Disponível em: https://www.legiaodosherois.com.br/lista/mangas-shounen-mulheres.html#list-item-1. Acesso em: 20 jul. 2022.


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SUELI BORTOLIN

Doutora e Mestre em Ciência da Informação pela UNESP/ Marília. Professora do Departamento de Ciências da Informação do CECA/UEL - Ex-Presidente e Ex-Secretária da ONG Mundoquelê.